Rude golpe no estômago
Treze jornadas depois os juniores da Santa Isabel voltaram a perder para o campeonato distrital da 2.ª divisão, série 1. Um rude golpe no estômago da equipa. Uma derrota difícil de engolir por todas as circunstâncias ocorridas no jogo, não retirando com isto o mérito ao adversário.
Um jogo onde a Santa Isabel teve duas expulsões, o dobro das expulsões que a equipa teve nas restantes 21 jornadas, e onde o golo sofrido, que ditou a derrota, teve origem num dos dois livres de 10 metros que o adversário beneficiou ao longo do jogo, curiosamente, também o dobro dos livres de 10 metros que os nossos adversários beneficiaram em todos os outros jogos do campeonato... sintomático...
Assim, a história do jogo quase se resume à primeira parte, até às expulsões, e às faltas e faltinhas assinaladas no segundo tempo das quais resultaram o golo da vitória do S. Roque.
Ainda assim, diga-se que começou bem melhor o S. Roque. Umas das poucas equipas que jogou contra a Santa Isabel olhos nos olhos. Na primeira metade do primeiro tempo assumiu o jogo e criou o maior número de oportunidades de golo.
A partir desse período a Santa Isabel melhorou e começou a equilibrar o encontro, dividindo as despesas ofensivas do jogo e as oportunidades de golo com o adversário que é uma equipa tecnicamente muito forte.
O jogo estava equilibrado e interessante até que aconteceu o momento do jogo.
Falta a favor da Santa Isabel (a sexta do S. Roque), cometida sobre Rúben Santos que se envolve numa troca de palavras com três ou quatro jogadores do S. Roque. Rúben Santos é puxado pelos restantes colegas para a zona de substituição evitando assim que as palavras passassem a atos, sendo substituído por Jota. Estranhamente desta situação resultou a expulsão de DOIS atletas da Santa Isabel e de UM do S. Roque. Rúben Santos e Jota são expulsos, se no caso do primeiro é difícil perceber (porque é vermelho direto) no segundo é, no mínimo, surreal, e com isso, a juntar a todas as outras condicionantes com que a Santa Isabel se tem debatido (lesões), a equipa fica órfão em capacidade ofensiva para encarar o que resta da partida (e para os próximos jogos...Barranha e...Parada, pois claro). Como se não bastasse, Paulinho não consegue concretizar o livre de 10 metros e o jogo vai para intervalo empatado.
Como já referimos, a segunda parte teve pouca história. A Santa Isabel muito limitada ofensivamente, a ausência de Rúben Santos e Jota tirou capacidade de construção, velocidade e irreverência à equipa. Muitas faltas e faltinhas, interrupções de jogo sucessivas...ou seja, aquilo que se previa que fosse um bom jogo de futsal tornou-se numa espécie de circo mediático, onde os principais protagonistas são as únicas pessoas (e organização) que são remuneradas entre todos os intervenientes deste jogo.
Quem não tem culpa disso é o S. Roque que fez o seu jogo, aproveitou as circunstâncias do mesmo para ganhar e se manter na luta pela subida. Esquecendo tudo o que condicionou o jogo o S. Roque foi a melhor equipa na quadra.
Por isso mesmo, a Santa Isabel tem, também, de olhar para o que não conseguiu fazer. Não foram capazes de perceber os sinais dos jogos anteriores que indicavam que mais tarde ou mais cedo algo do género estava para acontecer (basta lembra como aconteceu o segundo golo da Cave 94, duas jornadas atrás), deviam estar preparados para um jogo assim e não se colocar "tão a jeito". Depois das expulsões, deveriam ser capazes de ultrapassar a ausência de jogadores tão importantes (como tantas vezes já o fizeram esta época) e não abdicar dos seus princípios de jogo. Deveriam ter começado melhor a partida. Não foram capazes de fazer tudo isso e pagaram da maneira mais injusta que há pois só deviam haver duas equipas na quadra com a ambição do protagonismo da vitória.
Destaques individuais:
Nuno - A equipa não estava tão forte ofensivamente e emocionalmente, por isso, teve mais trabalho do que é habitual e mostrou toda a sua qualidade. Só não defendeu o livre de 10 metros (superiormente executado) que deu a vitória ao adversário.
Marcelo - Num cenário difícil foi mantendo sempre a serenidade. Foi na sua qualidade que os colegas depositaram as maiores esperanças. Lutou, tentou, mas não chegou.
Fábio - Quando é precisa dar a cara à luta diz sempre presente. Neste jogo não foi exceção.
Equipa inicial: Nuno; Marcelo (cap.), Paulo Pinheiro, Rúben Santos e Paulinho.
Jogaram ainda: Tiago Silva, Jota e Fábio.
Suplentes não utilizados: Sérgio André; Daniel, Ricardo Moreira e Tiago Sousa.
Disciplina: A - Nuno e Paulo Pinheiro; V - Rúben Santos e Jota.
NOTA DO TREINADOR: Habitualmente escrevo estas crónicas de jogo na terceira pessoa. No entanto, depois dos acontecimentos ocorridos neste jogo, enquanto (cada vez mais orgulhosamente) treinador desta equipa, sinto necessidade de fazer uma nota final dedicada aos meus atletas, aos adeptos que tanto têm ajudado esta equipa e à restante família da Santa Isabel.
Porque me parece que quando se tem atletas no balneário com as lágrimas nos olhos, atletas que eu vejo como irmãos mais novos e pelos quais nutro enorme carinho fazendo tudo por tudo para lhes incutir os melhores princípios tanto de jogo como de formação cívica, a perguntar-me "Para que é que nos esforçamos tanto a treinar para depois perder desta forma?" tudo o que é considerado "politicamente correto" deixa de fazer sentido.
Posto isto, quero dizer, a todos os que acompanham ou pertencem à estrutura, que esta época, em especial, mas juntando também os anos anteriores de experiência, ensinou-me a amar cada vez mais a Santa Isabel. Tenho cada vez mais orgulho em estar neste clube. E esse sentimento deveria se estender a todos os que rodeiam o clube. No entanto, ensinou-me, também, que ganhar pela Santa Isabel é muito mais difícil que noutros lados, umas vezes por nossa responsabilidade noutras nem por isso. Mas com grupos como os que eu tive o privilégio de treinar nestes dois últimos anos é POSSÍVEL. E mais tarde ou mais cedo VAI ACONTECER.
Aos adeptos que nos têm apoiado de forma fantástica peço que não nos abandonem agora. Estes miúdos merecem, aconteça o que acontecer, todo o apoio até ao final do campeonato. Se tiverem dúvidas disso convido-vos a assistir aos nossos treinos e verem como eles trabalham por este objetivo comum.
Aos nossos adversários digo apenas que este soco no estômago doeu, mas não nos derrubou. Vamos, sem dúvida, valorizar as vossas vitórias ou derrotas. Estaremos tão ou mais fortes nos próximos seis jogos como estivemos em todos os anteriores. Sem este ou aquele jogador, por mais importantes que sejam, ESTAMOS JUNTOS E SOMOS SANTA e isso faz toda a diferença!
Finalmente, para os atletas que me perguntaram para quê treinar tanto se depois é para perder desta forma só posso responder assim: porque eu acredito que no Futsal a sério, apesar de tudo, ainda há espaço para o reconhecimento ao trabalho, ao mérito e à dedicação. A outra solução era desistir, mas vocês (qualidades e defeitos) não mereciam que eu vos fizesse, ou vos deixasse fazer, isso. Obrigado por me ensinarem e por me darem tanto. Obrigado por me obrigarem a tentar ser cada vez melhor.
Porque me parece que quando se tem atletas no balneário com as lágrimas nos olhos, atletas que eu vejo como irmãos mais novos e pelos quais nutro enorme carinho fazendo tudo por tudo para lhes incutir os melhores princípios tanto de jogo como de formação cívica, a perguntar-me "Para que é que nos esforçamos tanto a treinar para depois perder desta forma?" tudo o que é considerado "politicamente correto" deixa de fazer sentido.
Posto isto, quero dizer, a todos os que acompanham ou pertencem à estrutura, que esta época, em especial, mas juntando também os anos anteriores de experiência, ensinou-me a amar cada vez mais a Santa Isabel. Tenho cada vez mais orgulho em estar neste clube. E esse sentimento deveria se estender a todos os que rodeiam o clube. No entanto, ensinou-me, também, que ganhar pela Santa Isabel é muito mais difícil que noutros lados, umas vezes por nossa responsabilidade noutras nem por isso. Mas com grupos como os que eu tive o privilégio de treinar nestes dois últimos anos é POSSÍVEL. E mais tarde ou mais cedo VAI ACONTECER.
Aos adeptos que nos têm apoiado de forma fantástica peço que não nos abandonem agora. Estes miúdos merecem, aconteça o que acontecer, todo o apoio até ao final do campeonato. Se tiverem dúvidas disso convido-vos a assistir aos nossos treinos e verem como eles trabalham por este objetivo comum.
Aos nossos adversários digo apenas que este soco no estômago doeu, mas não nos derrubou. Vamos, sem dúvida, valorizar as vossas vitórias ou derrotas. Estaremos tão ou mais fortes nos próximos seis jogos como estivemos em todos os anteriores. Sem este ou aquele jogador, por mais importantes que sejam, ESTAMOS JUNTOS E SOMOS SANTA e isso faz toda a diferença!
Finalmente, para os atletas que me perguntaram para quê treinar tanto se depois é para perder desta forma só posso responder assim: porque eu acredito que no Futsal a sério, apesar de tudo, ainda há espaço para o reconhecimento ao trabalho, ao mérito e à dedicação. A outra solução era desistir, mas vocês (qualidades e defeitos) não mereciam que eu vos fizesse, ou vos deixasse fazer, isso. Obrigado por me ensinarem e por me darem tanto. Obrigado por me obrigarem a tentar ser cada vez melhor.

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